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domingo, 29 de dezembro de 2024

ÀS VEZES

 Às vezes,

faço versos como criança
que joga papéis ao vento,
pelo simples prazer de brincar,
pelo gosto singelo de ver
os meus versos apenas a flutuar.

2009

 Sou um louco: quando vim ao mundo, a medida dos meus sentimentos se espatifou, e tudo se derramou em extrema abundância. Por isto amo sempre demais, odeio sempre demais, desprezo sempre demais, sofro sempre demais. Mesmo quando adoto posturas moderadas, faço-o porque às vezes evitar hostilidades é o melhor caminho, e oculto assim o meu pensamento eternamente radical. Tudo em mim é demasiado, não vim ajustado ao planeta em que vivemos.


2009

AMOR VERDADEIRO

 Quero um amor verdadeiro

que cante na noite estrelada,
que brilhe nas noites sem luzes,
que seja intenso, tão belo, profundo
como os versos de amor do Vinícius.


Quero um amor verdadeiro
que assanhe de vida os meus dias,
quero um amor verdadeiro,
tão prenhe de querer e de entrega,
que nos faça uma só criatura.


Quero um amor verdadeiro
que seja imenso e de aço,
inabalável nas tempestades,
que seja uma orquestra de vida
e, invulnerável, se ria da morte.

2009


CANTA

 Canta vibrantemente como guerreiro enfurecido.

Solta a voz com toda a força da alma intensa, ensandecida,
Espalhando milhões de emoções ardentes pelo ar.

Canta, minha cantora... canta com a gana de quem ama,
De quem goza, quem odeia, de quem sofre enormemente.
Canta lindamente como um coral de passarinhos
Num iluminado, colorido, ensolarado amanhecer.

Canta, minha cantora, e me leva em tua voz
A todos os sentimentos que brotarem do teu peito fogueado,
Numa viagem encantada e banhada em delírio
[ e poesia.

2009

A PAIXÃO

 A paixão é o imensurável, insuperável, inequiparável êxtase;

É nas narinas o aroma do perfume que envolve, que arrebata, que inebria:
É na língua o gosto do mais sublime néctar,
No sexo o paladar do corpo da morena a fremir num fervor inqualificável.

A paixão é, por si só, o tudo: a chegada, a conquista,
O nada-além-almejar, o nada-além-desejar.
A paixão é delícia, é delírio, é orgasmo, apogeu.
É a beatitude maior, é o mais pecaminoso e mais delicado nirvana.

2006

NÃO QUEIRA AINDA A MORTE

 Não, não queira ainda a morte:

Ainda existe entardecer,
E a cidade ainda é bonita de se ver.

Não, não queira ainda a morte:
De manhã algum pássaro ainda canta
E ainda nos resta alguma natureza.

Não, não queira ainda a morte;
Vez por outra algum olhar concupiscente
Ainda pousa nos seus olhos longamente.

Não, não queira ainda a morte:
Ainda há distâncias para viajar
E talvez algum caminho a seguir.

Não, não queira ainda a morte:
O além-horizonte pode ser lugar algo diverso,
Amanhã pode ser dia algo diverso,
Quem sabe?
- Embora eu muito duvide.
Não, não queira ainda a morte.

2003

ABRIR AS JANELAS

 Eu quero abrir minha janela em música,

eu quero abrir minha janela para lançar música no ar
e transbordar a casa da claridade da manhã.
Eu quero me lançar sobre a vida e o luzir do dia,
com a alegria de ave a deixar o cativeiro,
com a paz de anjo a planar no firmamento,
com o deleite de quem goza no corpo da mulher amada.

2003

O SILÊNCIO

 O silêncio, mudez total, completa,

atravessa cada cômado,
aquieta a casa inteira,
silêncio tumular, absoluto.

O silêncio de fazer perder o sono
e revirar-se qualquer mortal por toda a noite.
O silêncio, que é calado como a morte,
encontra todavia, com perplexidade imensa,
minha alma ainda mais silenciosa.

O silêncio, a minha alma.
A minha alma, que é sem dor nem rigozijo,
sem sonhos, sem desejos, sem enganos,
que fica imóvel, sem folia e nenhum pranto,
a sorver lentamente esse silêncio.

Minha alma se atou de vez a esse silêncio,
numa comunhão de eterno casamento,
e ambos se fundem e se tornam coisa única:
a minha alma é o próprio silêncio então.

II

Quero apenas a quietude do silêncio,
O semblante inexpressivo do silêncio:
Quero somente o silêncio,
Nada, nada que não seja o silêncio.

2004

OUVIR MÚSICA

 Ouvir música é como um transcendente culto.

Quando ouço música, é como se me ligasse estreita, profunda e harmonicamente a Deus.
Mas, se alguém abre a porta e e barulhos entram no cômado,
É como se adentrassem inúmeros demônios
Que me tirassem, sarcásticos, dos braços do Pai Eterno.

2005

AGUARDA!

 Fica quieto, homem açodado!

Ainda nem deu meio-dia,
Ainda não é a hora,
Ainda não é o dia.

Ainda não é o momento
Da glória dos revoltosos,
Ainda não é chegado
O Dia da Rebeldia.

Ainda não é a vez
Do fim da tua agonia:
Conserva a tua esperança,
Espera voltar o Messias.

Ainda estás no estágio
De padecer pelos dias:
Aguarda com paciência
Chegar a fada-madrinha.

Espera só três milênios,
E os homens serão mais justos.
Aguarda uma linda rainha
Chamar-te para uma orgia.

Homem precipitado,
Espera que ao menos se cumpram
As bíblicas profecias.
Não percas as esperanças
Da vinda do teu triunfo,
Do prêmio por tuas virtudes,
Da tua prosperidade,
Da tua felicidade
E explosão de alegria.

Aguarda com paciência,
Espera resignado:
Ainda não são três horas,
Ainda não deu meio-dia,
Um dia virá o momento,
Um dia, seu apressado!
Um dia, meu caro, um dia.

2007

VERSOS COM MENÇÕES AO POETA VAGABUNDO



SATURE-SE DA FIGURA DO POETA VAGABUNDO E DA PRÓPRIA EXPRESSÃO EM SI, ALÉM DA FARTA REPETIÇÃO DE IMAGENS E CENÁRIOS QUE O ENVOLVEM

O poeta vagabundo:
Vagabundo por repudiar trabalho
E também por ser um bardo dos chinfrins,
Já poeta porque inventa frases líricas,
Porque toca, sofre e canta ao violão.

Homenzinho insano, incomum, parece doido,
Já criou costume de parar no tempo
E também no espaço, pra fitar estrelas;
Divagando tanto, ousando fantasias
Que não vi neste mundo nenhum louco acalentar.

Comove-se co'a musa que adentra o bar,
Achega-se a ela e lhe diz galanteios
Com olhos luzentes e tão fascinados,
Que mais parece menino apaixonado.

Quando solitário, acomoda-se à mesa
E consome-se em porre pela morena
Que há bem pouco tempo o deixou
E a linda mulata que o já encantou.

Esse vagabundo, na rua lotada,
É apenas um ser sozinho e tão errante
Que para de repente e faz novamente
Que pare o tempo só pr'ele contemplar
O céu azulzinho do dia de sol.
Esse coisa-à-toa caminha perdido,
Soturno e sem rumo na rua deserta
Quando sua alma é sombria, escura, sem luz.

Despojado, informal, parece esses anjos
Desgarrados dos outros, que ficam bebendo
Nos bares alegres, em vez de ir pro Céu.
Incapaz de acatar, não sabe dar ordens.
Parece um cão solto deitado nas ruas:
Lírico e livre, o que mais ele lembra?
Talvez as cigarras, talvez borboleta, talvez os pardais.

II
(CIDADE SEM ALMA)

Que Rio emprestaria
Um poeta vagabundo,
Livre, avesso ao trabalho,
Pr'eu fazer uma canção?

Onde eu encontraria
Uma bela libertina
A aceitar propostas lúbricas,
A beber num botequim?

Onde o Rio acharia
Um malandro zombeteiro,
Imbatível na sinuca,
Dedilhando um violão?

Que birosca mostraria
Um amante abandonado,
Só, tristonho, embriagado,
A chorar de dor de amor?

Em que bar eu viveria
Bebedores animados
A cantar Tom e Vinícius,
A falar de Bossa Nova?

Nos romances, devaneios,
Nas canções que ouço do rádio,
Nas imagens de outras décadas
Que eu só vejo na tevê.

Rio insosso, tão sem graça,
Com seus bares burocráticos
De "menu" sofisticado
E ambiente de escritório.

Zona Sul e Centro belos,
Os mais belos dos infernos,
Com seu trânsito empacado
E as buzinas estridentes.

Violência organizada,
O subúrbio amarrotado
E essa ausência de alegria,
Essa susência de tristeza.

Esse Rio que não canta,
Que não ama, que não chora ,
É assim como um autômato,
Desconhece a poesia.

II - II
O bar onde eu bebia estampava um imenso pôster do Rio antigo
E isso me apertava o peito.
O Insttiuto Oswaldo Cruz contrasta com o panorama feio e desumano da Avenida Brasil,
E isso também me aperta o peito.
Os romances de Machado de Assis apertam meu peito
De saudades. Saudades! Que saudades!
Eu tenho saudades de um tempo que não vi nem vivi!
Eu tenho saudades de um Rio que não conheci!

III

Que poeta vagabundo
Ávido de vida
Chegaria à porta da bodega
Para olhar a lua cheia?

Que poeta desvairado
Pararia no tempo e no espaço
Para ouvir canções amenas
E, depois, tresloucado, versejar?

Que menina enamorada,
No silêncio do seu quarto,
Mexeria nas gavetas
Para ler cartas de amor?

Que velho passaria
Tardes mansas nos outonos
Balançando  na cadeira,
Numa paz de dahlai lama ?

O poeta não existe,
Está preso, encerrado,
E fechado nestes versos,
Nesta minha fantasia.

A menina é pragmática:
Tem uns cinco namorados
Que não ama e tem um verbo
Tão concreto, que eu me assusto.

E o tal velho na cadeira
Só sossega porque os ossos
Dóem quando em movimento:
Quieto, amarga a existência.

Nenhuma poesia no ar,
Nada de belo há no ar,
Todos parecem não ter sentimentos.
A vida é fria e mecânica,
E nós, seres robotizados,
Com projetos, mas sem sonhos,
Nascidos para, produzindo, cumprir nosso papel no contexto econômico
E depois morrer:
Nós somos assim como as máquinas dos carros.

IV

As metrópoles não têm alma,
O mundo não tem alma:
O mundo é uma vastidão descomunal sem alma.

1996

POEMA BANDIDO II

 Abaixo as instituições!

Abaixo o sentimento de pátria e viva a nação brotada do amor, união e
[solidariedade entre as criaturas!
Que a família nasça dos laços de afeto a unir as pessoas,
Não mais das convenções e da falsa moral social.

Abaixo a autoridade, fonte purulenta e inesgotável de cinismo e
[torpeza a alimentar a corrupção,
Germe abjeto que infecta o Estado e faz deste Estado um verdadeiro
[ tumor estatal!
Viva Deus sem a hipocrisia sórdida e a falsa bondade dos religiosos!

Que Deus não seja mais instituição, mas crença.
Que a pátria não seja mais pátria, mas nação.
Que nunca mais as convenções e sim a ternura mantenha as pessoas
[sob tetos comuns.

2008

COMO O CARNAVAL

 Ah(!), se cantasses tão divina, ardentemente

Como os rouxinóis prenhes de vida...
Se calasses numa mudez tão total e tão profunda,
Que mais parecesses teu retrato...
Ah(!), se chorasses triste, desoladamente
Qual quem perde o tempo, a casa, o chão...
Se sorrisses tão cálida e tão alegremente
Qual criança ante a plena liberdade...
Ah(!), se meu fosse o teu canto, teu silêncio,
O teu pranto, o teu riso e os teus olhos de ternura,
O mundo se faria a eterna, mais eterna alvorada,
A mais bela, doce explosão de música, de cores e de júbilo:
O mundo então seria alegre como o Carnaval.

2003

EMPORCALHADO OLIMPO

 Eu poderia ser renegado e pouco depois, porém, tornar-me rei

e, altivo, olhar frio, indiferente,
caminhar por entre o povo, venerado por cantigas louvadoras
e aclamado pelo fervor das multiões.

Eu poderia ver curvar-se em reverência cada homem
e abrir-se em oferta sensual cada mulher...
Eu poderia ser cultuado como um deus de carne e osso.

Bastaria apenas que os deuses humanos desta terra
me estendessem a mão suja de lama
e me dessem um lugar em seu emporcalhado olimpo.

2003

A UM IMPERIALISTA ARROGANTE

 Eu bem sei que o teu poder é imensurável

E que só não suplantaria a tua iniqüidade,
Tua desmedida maldade, tua infinita ganância.
Eu bem sei que os exércitos e armas que tens a teu dispor
Te fazem, sem dúvida, o mais temido e periculoso dos homens.

É, enfim, inegável que o teu poder de destruição é incalculável,
Mas tu não podes designar o rumo dos ventos.
Podes gerar e vencer guerras e mais guerras,
Devastar nações, territórios e gentes,
Provocar morte, flagelos, endemias,
Mas não podes conter a fúria dos vulcões,
Mas não podes transformar o desprezo que te tenho,
Que só se sente pelas mais abjetas entre as criaturas.

Podes, com teu arsenal nefasto, suprimir a vida na Terra,
Mas, ao tocares em ti próprio, vês que o material de que és feito não é aço nem urânio.
Podes espalhar desgraças pelo mundo,
Mas não podes fazer chover.
Podes ter controle sobre homens e países,
Mas jamais comandarás os furacões, os vendavais e os maremotos.

Jamais serás algo além de um homem,
Um mero homem, ínfima partícula do planeta.
Um homem, tão frágil, vulnerável, destrutível,
E, um dia, um atentado, um acidente ou uma doença
O conduzirá à morte, indiferente à tua vaidade, soberba, orgulho
E essa tola convicção de ser um deus.
De nada adiantará todo esse poder, todo esse prestígio:
A Natureza não respeitará a tua insuportável empáfia,
Nem a tua fortuna, nem a tua arrogância:
Ela te arrastará para a morte, como faz com todos os seres
E tua carne apodrecerá como a de qualquer rato de esgoto.
Tu um dia morrerás e apodrecerás. Tu, efêmero como qualquer forma de vida,
Tu, criatura impotente diante das leis e desígnios da Natureza,
Tu, que agonizarás como qualquer outro moribundo, nos teus derradeiros momentos.
Tu, tão vil e tão mesquinho, tu, tão respusivo e tão pobre de alma,
Tu, que, não fosse o poder que ostentas, estarias quieto em tua terra e cônscio da tua real
[ insignificância.

2007

CANÇÃO TRISTE

 Como eu poderia, menina, escrever-te poesias,

Se eu não sei falar dessa alegria
Solta, alegre, esvoaçante, tão menina,
Reluzente no teu ser?

Como, se eu só sei cantar tristeza
Com tristeza, por tristeza,
Nada mais?

Menina, a minha canção é qual silêncio,
É gemido, pranto, noite funda,
Fronte baixa, olhos mortos, pura dor.

Minha canção é qual crepúsculo de inverno,
Negro céu, bairro sem gente, mar sem vida,
Casa abandonada de desolado quintal.

Minha canção é um queixume tão desnudo de esperança,
Lágrima incessante deslizando pelo rosto,
Barco ancorado no deserto cais.

Minha canção é folhas secas arrastadas pelo vento,
Tarde sombria, olhar cansado, solidão.

Minha canção é escuridão, é desalento,
É fadiga, desencanto, lassidão, abatimento,
Melancolia, desconsolo, é vontade de morrer.

2003

NOBREZAS DE PAPELÃO

 Salve a família brasileira...

com suas virgens grávidas,
com suas tias ávidas,
com suas mães faceiras
e com seus pais cornudos!

Salve a história desta terra
com seus quinhentos anos...
com seus heróis de pano,
suas versões que enterram
tudo aquilo que é verdade!

Salve os homens da política
com seu trajar estético...
com seu agir aético,
sua moral raquítica
e seu cinismo sórdido!

Salve o ser religioso,
que cultua o Pai Eterno...
e agrada o rei do inferno
com seu verbo mentiroso
e seus atos de maldade!

Salve a mídia, que informa...
o que querem os mais fortes
e existe pra suporte
do poder, que só deforma
o país em que vivemos.

Por que tudo é inverdade,
é torpeza, é sofisma,
é embuste, é cinismo,
a mais pura falsidade
nesta terra de belezas?

2003

MILENA

 



Vem de algum lugar, Milena, que meu canto te procura
Por todo beco,
Por todo canto
E pelas ruas , Milena, tão silenciosas;
Noites de frio
Que não revelam
A tua imagem.

Surge, Milena, assim de repente como fada;
Nasce de um clarão multicolorido de magia
E então flutua
Bem docemente
Ante meus olhos.
Vem, Milena, chega num relance de entre as nuvens;
Vem, que meus versos têm em ti sua nascente.
Chega antes que meu peito se transforme em  só cansaço,
Antes que meu verso cale, silencie,
E eu me torne folha seca  a vagar sem nenhum rumo.

1996


II

(OUTRO CANTO A MILENA)

Vem, Milena, ver a noite e suas luzes,
Fazer planos de um amor que nunca acabe.
Vem, porque jurar amor é qual cantar,
E, Milena, cantar é tão bonito,
É bonito como o encantamento dos teus olhos,
Quando sonhas debruçada na varanda.

Vem arder entre lençóis, quentes carícias,
Nossos corpos, qual vulcões ensandecidos,
Se espremendo numa fúria delirante
E na dança alucinada dos desejos.

Vem, Milena, ver cantar meus sentimentos,
Vem sentir o aconchego dos meus braços,
Vem fazer do meu abraço tua casa.
Tua casa, o teu canto é meu abraço.

2007


III

(ÚLTIMO POEMA A MILENA)


Adeus, Milena, até nunca, nunca mais...
Nunca mais um verso te farei.
Até nunca mais, Milena, adeus.

Ainda que eu fosse o orador que mais brilhasse,
pelo inteiro mundo  minha voz fosse aclamada,
e as turbas me aplaudissem, fascinadas...

Ainda que eu cantasse a mais linda das cantigas,
e o fizesse de forma tão doce, tão sentida,
que levasse a prantear as multidões...

Ainda que eu aniquilasse os demônios do universo,
e cruzasse fronteiras minha fama de bravura,
e eu fosse aclamado do planeta o grande herói...

Ainda que eu não fosse nada menos que deus vivo
a operar milagres estalando os dedos simplesmente,
e os homens me louvassem em milhões de reverências...

Ainda assim eu teria o desdém desses teus olhos,
a tornar-me nada mais que um mero, simples verme.
A tua voz, sem calor ou sem doçura, então faria
De minh'alma nada mais  que escombros puramente.
Adeus, Milena, até nunca, nunca mais.
Até nunca mais, Milena, adeus.

2008

Revisto e modificado (todo o poema) em 2012

A REVOLUÇÃO DOS ARTISTAS

  Se não existe em definitivo a justiça dos homens Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar, Pois que venham então de todos os lados Mu...