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domingo, 29 de dezembro de 2024

INUTILMENTE

 Eu te fiz tantos poemas,

te mostrei toda a lindeza
de canções que mal ouviras,
de um  pardal a saltitar.


Eu tentei te fascinar:
fui poeta, vagabundo,
anarquista, embriagado,
cada herói que pude ser.


Fiz sentires a delícia
de um passeio pela noite
entre planos delirantes,
de sonhar sob o luar.


Nada disso todavia
fez, na hora do abandono,
que calasses no teu peito
teu anseio de partida.

1995

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