Eu quero cantar a vida em sua intrínseca dança.
Quero cantar as pessoas que passam em rumo ao trabalho ou que tão-somente andam[ à toa, descompromissadamente por aí.
Eu quero cantar a viveza saltitante e solta dos sábados cariocas de verão.
Eu quero cantar por cantar os bares do Rio com sua animação colorida,
A atmosfera pagodeira do centro da cidade nas noites de sexta,
A descontração das crianças que correm nos parques,
A exultação dos cães na chegada dos donos...
Eu queria cantar a faceta alegre da realidade dos dias...
Mas o meu canto é cheio de mágoa, é pejado de ódio,
É triste como um silente crepúsculo de inverno...
O meu canto, furibundo, melancólico, ferido,
É só o que sai de minh’alma amarga, sombria, envelhecida.
1997
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